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BOLINHO DE CARNE / DIÁLOGOS DE UM FLÂNEUR OPERÁRIO

consciencia

Da série Diálogos de um flâneur operário.

 

— Devaneias! Fala de coisas abstratas… Bateria eu em teu rosto? Um encontro de matérias… E assim terias a certeza de que somos bem reais?! — Gargalha o estudante.
Pablo o encara — Bobagem! — Diz ele descruzando as pernas. Desafio à qualquer um a me dizer, uma só coisa que não seja ilusória. Não. Não falo só do amor… De coisas abstratas… Também da matéria… — Diz Pablo, cutucando a ferida de uma unha encravada.
— Olha que já estou a preparar os tendões! — Diz o rapaz levando uma das mãos, quase a tocar a face de Pablo, num arremedo bonachão de ameaça.Pablo sente nela, o aroma do bolinho de carne que o outro acabara de por fim em duas abocanhadas. É a hora do almoço.
— O que se transforma… Também há de se acabar. O que se acaba… É como se nunca existisse… — Resmunga Pablo.
— E quem sabe se o Universo não seja infinito?
— Sem consciencia, nada existe.

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About the author

Paulistana; gosta de escrever, dias nublados, leituras densas, música, cinema e gastronomia.

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