Literatura Americana
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON
capa

Francis Scott Fitzgerald

O Curioso Caso de Benjamin Button é um conto do escritor norte-americano Francis Scott Fitzgerald. Escrito em 1922, ele conta a estória de um bebê que nasce idoso – septuagenário -, e ao longo de sua existência, rejuvenesce a cada ano.

Quando Benjamin faz dez anos de idade – pela contagem cronológica de seu nascimento-, por exemplo, sua aparência física é de 60 anos. Quando faz 20, ele tem a aparência de 50 anos, e assim sucessivamente.

O fato em si obviamente é um acontecimento estarrecedor na sociedade de Baltimore. E para seus pais, uma desgraça não digerida pela família. Ressalto aqui que a figura materna é suprimida no conto que dá voz somente ao pai.

O que é mais interessante na estória, até mesmo que o fenômeno genético de Benjamin Button, são os obstáculos que ele encontra pela frente. Não por estes serem diferentes dos obstáculos dos outros seres humanos, mas justamente por serem iguais. Embora em uma ordem cronológica inversa. E aí que está talvez o ponto central do conto: os paradigmas da sociedade. Algo que parece não mudar nunca.

Quem já não ouviu na vida, e se não ouviu com todas as letras sabe muito bem que é disto de que se tratava: Você é jovem demais ou você é velho demais?!

Até mesmo Button que sofre na pele o preconceito dos que sabem de sua estória ou quando não, tem a vida prejudicada pelos que não o conhecem e o  tomam por um falsário, louco ou coisa que o valha, ele próprio é preconceituoso quando sua esposa começa envelhecer enquanto ele rejuvenesce. Sim, o conto é um tanto diferente do filme estadunidense de 2008 escrito por Eric Roth e dirigido por David Fincher.  No filme, o dilema do distanciamento gradativo de aparência entre Benjamin e sua amada existe; porém, o amor é o mesmo. No conto, não. A coisa não é romantizada. É crua, realista.

Por fim, o próprio Benjamin parece ser absolvido de seu preconceito. Pois afinal, que jovem cheio de vida, disposição e sendo belo, seria feliz em estar casado durante anos com uma velha ranzinza e cansada?

A natureza é implacável. Não há nenhum romantismo nela. Por mais que o homem invente seus castelos à fim de fazer da existência algo mais suportável,  ter conhecimento da realidade parece ser algo mais seguro para a sobrevivência.

A certa altura, Benjamin é convocado pelo exército como general de brigada nos Estados Unidos. Chegando lá, obviamente é ridicularizado pois não tem mais a aparência de homem e sim, de um adolescente de 16 anos. Quem acreditaria que ele servira o exército anos antes e era um oficial da reserva?

A existência neste aspecto, parece estar apoiada em duas pernas: a realidade e as aparências. Mas nem sempre as duas andam juntas. E aqui poderíamos passar horas discorrendo sobre este paradoxo.

Não costumo tirar  ‘moral’ de uma estória. Mas se esta tiver uma, imaginei particularmente que seria: fenômenos, exceções, podem existir.  Porém, saiba das regras da natureza e do mundo. Quanto mais cedo melhor. Não deixe ser tarde demais.

 

 

 

 

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About the author

Paulistana; gosta de escrever, dias nublados, leituras densas, música, cinema e gastronomia.

2 Comentários

  1. Lilian Lima

    Bacana, Fernando! Obrigada pela informação! Vou procurar o livro. Gosto de narrativas sobre as Guerras. Grande abraço!

  2. Chronosfer

    o livro todo em que o conto O curioso caso de Benjamin… está é magnífico, com uma narrativa que se desloca entre o pós-1ª Guerra Mundial e a Grande depressão. E a o fantástico Benjamin constrói toda narrativa entre o fantasioso e a realidade. para se pensar e muito. meu abraço.

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