Ensaios
Um breve ensaio sobre a Comunicação Social

macacos

Introdução

Hoje é dia do jornalista! Parabéns à todos os profissionais da área.

A propósito, temos acompanhado os acontecimentos do panorama político atual do país, através da mídia tradicional (Rádio, TV e Imprensa) e também através das novas mídias provenientes do advento da internet. Não irei de falar de política. Meu blog não é político. Mas irei aproveitar a deixa, para tratar de um assunto de minha formação Comunicação Social e que não foge a proposta do blog. Resolvi fazer o post pois percebo algumas visões que me parecem equivocadas nestas discussões atuais. Ressalto que farei uma abordagem unicamente técnica e o que estiver fora desta premissa me será indiferente.

Bem, há muita coisa que poderia ser falado sobre a matéria: Comunicação Social. O assunto é muito amplo. Mas vou me ater apenas em um aspecto das discussões atuais sobre a questão da atuação jornalística: afinal de contas, a mídia pode influenciar indivíduos?

Prontamente, a resposta é sim e não. Em suma, a mídia tem condições técnicas de persuasão para manipular pessoas se ela quiser aplicá-las, sim! Porém, se terá êxito, é outra história. A mídia por exemplo, não tem condições de manipular indivíduos o tempo todo, nem manipular todas as pessoas e ao mesmo tempo.  Esta é uma Teoria de Comunicação (Teoria Hipodérmica) que já foi superada na metade do século XX.

Também, deve se considerar que ter condições de fazê-lo e fazer de fato, são coisas distintas. As vezes é preciso uma análise técnica para se fazer estas afirmações. Tanto de que a tentativa de manipulação esteja ocorrendo quanto de que as pessoas estão em ‘estado de manipulação’. Neste último caso, é um equívoco recorrente afirmar que determinadas pessoas estão em ‘estado de manipulação’ pela mídia baseando-se apenas nas opiniões destas sobre determinados assuntos.

Em contrapartida, outro equívoco é afirmar que a mídia não tem ‘poder’ de manipular pessoas ou que nunca o faz. Como já foi dito, a mídia tem condições, sim. Também é equivoco achar que as pessoas são imunes a isto. Ou o contrário: que todas as pessoas são manipuláveis.

Talvez a confusão no caso de achar que a manipulação midiática não acontece, está basicamente em desconhecer suas técnicas. Também, quando o discurso do emissor coincide com a do receptor. Não é porque o receptor já tinha uma opinião formada e que coincide com a do emissor, que este não esteja usando das técnicas de manipulação. Outra ideia equivocada é achar que a manipulação é sempre explícita e não sendo, não está acontecendo. Também não é questão de o indivíduo ter mais ou menos cultura, maior ou menor QI, pois em ambos os casos, a manipulação pode ocorrer.

A comunicação humana e a comunicação de massa na formação de indivíduos

O ser humano já nasce em um mundo que informações, saberes, conhecimentos, opiniões, ideias, ideologias, já existiam antes dele. Enquanto cresce, uma família lhe transfere valores, e interage com o mundo que vai conhecendo pouco a pouco. Mais tarde, recebe educação acadêmica e talvez ensinamentos religiosos. O indivíduo nem mesmo saiu da infância e já está comprometido com tudo que recebeu (ou com parte do que recebeu) de condicionamento mental e intelectual. Quer fosse esta transmissão com intencionalidade da fonte, ou não. De forma direta ou indireta.

Se este ‘legado’ recebido é bom ou ruim, isto dependerá da visão da própria sociedade em que o indivíduo está inserido. Embora temos um ‘acordo’ mais ou menos universal  sobre o que seria bom ou ruim, haverá coisas que serão discutíveis, subjetivas e relativas em suas particularidades.

Mas o fato é que recebemos informações a todo instante através de todos os nossos sentidos em um mundo onde TUDO é comunicação. Para se ter uma ideia mais abrangente, a roupa que vestimos é comunicação, como penteamos o cabelo é informação, um olhar é comunicação. O ato de ‘filtrarmos’ o que queremos receber de dados, não impede que recebamos outros dados por meios indiretos. Também, nosso inconsciente capta tudo ao nosso redor mesmo que nosso consciente não esteja atento.

Algo a se considerar, é que a ‘herança’ mental/intelectual do indivíduo, pode influenciar em como ele lidará com as informações que receberá ao longo da vida. A maneira de raciocinar e formular suas opiniões poderá ser influenciada pelos valores e ideias pré-existentes. O que não impede de forma alguma de ele absorver ideias novas, diferentes e até mesmo mudar suas antigas convicções. Mas a questão aqui é que há diferença em que isto aconteça de forma consciente ou por indução.

comunicação de massa, mais precisamente o Rádio, TV, a Imprensa e Internet, em tese, existe com os objetivos de transmitir cultura, conhecimento, entretenimento e informação. Promover discussões e debates, participando assim da vida da sociedade e contribuindo com seu andamento. Repito: em tese. Pois os veículos de comunicação de massa precisam sobreviver, obviamente. E elas sobrevivem de sua própria receita (sobreviver de sua própria receita também me refiro ‘em tese’). Logo, o objetivo inicial: transmitir cultura, conhecimento, informação, etc., está intrinsicamente ligado a questão comercial/financeira. Daí também a mídia por vezes se envolver com questões políticas e até religiosas pois, política e religião ainda são formas de obter influência e poder na sociedade.

Mas no que se refere a manipulação midiática, temos a manipulação comercial e a ideológica. O objetivo da manipulação comercial é transformar indivíduos em clientes e consumidores; e a manipulação ideológica, em indivíduos intelectualmente dominados. É o que ocorre com ideologias políticas, religiosas, causas diversas, etc.

Porém, é bom ressaltar que nisto existe um dilema. Pois nem sempre a manipulação (apesar de ser manipulação) tem objetivos e/ou resultados ruins. Uma propaganda chamando atenção da população para o combate da dengue por exemplo, é uma manipulação (explícita no caso) benéfica. A propaganda de um produto de consumo, onde você decida experimentá-lo ficando em seguida satisfeito por ter sido um bom negócio, não é uma coisa ruim (salvo exceções relativas que não cabe aqui discutir). Faz parte da questão que mencionei anteriormente: sobre a visão da sociedade ao que ela entende por bom e ruim, e também, de forma individual.

Há objetivos, finalidades, fáceis e óbveis em serem classificados como ‘bom’ ou ‘ruim’. A questão mais problemática é o que foge a isto. Há discursos de manipulação midiática onde a natureza  de seu caráter pode ser passível de discussão por interferir na individualidade ou mesmo na vida da sociedade. O dilema, é que a manipulação de qualquer forma, é uma tentativa de subjugar a inteligência de outrem e uma tentativa de privar o outro de sua liberdade. A manipulação leva o(s) indivíduo(s) a contribuírem com os interesses que nem sempre são os seus próprios ou da sociedade. E é este o campo de estudo da Comunicação Social. 

A Comunicação Social e seus estudos

Comunicação Social é o campo que estuda o processo da comunicação de massa (mass media; média ou mídia). Seu funcionamento, as relações da comunicação de massa (rádio, televisão, jornal, revista, teatro, cinema, propaganda e internet) em seus aspectos sociais; políticos, econômicos e tecnológicos. Os profissionais desta área podem ser tanto profissionais voltados para a pesquisa acadêmica somente, quanto para produção de conteúdo (que também requer pesquisa).

Em suas pesquisas acadêmicas, a Comunicação Social utiliza-se de campos de estudo como a semiótica; a linguística, a antropologia, a psicologia, a filosofia, a sociologia, ciências da informação, e com o advento da internet, as ciências da computação, entre outras que forem necessárias dependendo do estudo. Os métodos adotados pelos pesquisadores abrangem os conceitos de ciência; trabalhando com a observação e análises diversas.

As habilitações dos profissionais de Comunicação Social contemplam o Jornalismo, a Publicidade, o Rádio e a Televisão, a Internet, a Assessoria de Imprensa, Gráficas e Editoras, Pesquisa de Mercado, Produtora de audio e vídeo, o Cinema, Direção Teatral, Produção Editorial, Produção Cultural, Relações Públicas, Design de Moda e Marketing. Tanto de empresas privadas quanto públicas. Bem como do terceiro setor.

Estes segmentos por sua vez se utilizam das artes e outras áreas de Humanas; algumas áreas das Exatas como, matemática (estatística, logística); economia, arquitetura, etc, como ferramentas de trabalho na atuação profissional ou na produção de conteúdo. Portanto, a Comunicação Social tanto é uma área de estudo da comunicação de massa quanto de produção de conteúdo de comunicação de massa. Enquanto pesquisadora, ela tem estudado e formulado teorias que se propõem científicas. As chamadas Teorias da Comunicação.

Os estudos da Comunicação Social apresentam dois ciclos. O primeiro, iniciado na década de 20, vai até a década de 70 quando então, o setor de pesquisa sofre uma crise dada a complexidade do objeto. Somente no final dos anos 70 e início dos anos 80, é que a crise é superada e os estudos tornam a avançar. E como é comum acontecer com teorias, elas são superadas por outras conforme surgem novos avanços, novas descobertas. E em Comunicação Social não foi diferente. Teorias da Comunicação é um tema volumoso e complexo que não caberia aqui neste artigo que se propôs  apenas fazer uma síntese da questão inicial: se a mídia pode ou não manipular indivíduos. Deixarei para tratar especificamente deste tema de Teorias da Comunicação em outro ensaio eventualmente.

Conclusão

Comunicação Social é a matéria que estuda os processos da comunicação de massa e/ou também produz conteúdos que serão transmitidos por veículos de massa.

Em tese, os veículos de comunicação de massa, devem manter uma postura neutra diante dos assuntos pois do contrário, estará faltando não só com a credibilidade como também, trabalhando na margem da manipulação.

Porém, os profissionais da área de Comunicação Social vivem o dilema de estudar, entender e identificar os processos e as técnicas de comunicação e ao mesmo tempo, ter de utilizá-las quando da produção de seus conteúdos. Nisto, a ética profissional faz-se necessária pois é ela quem deve conduzir tanto os profissionais quanto os veículos de comunicação de massa. O que nem sempre acontece.

Isto porque como dito, veículos de comunicação precisam sobreviver e nesta luta pela sobrevivência, nem sempre a ética segue junto. Por fim, também porque imparcialidade total não existe. Pois a subjetividade humana é algo que não se consegue anular.

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About the author

Paulistana; gosta de escrever, dias nublados, leituras densas, música, cinema e gastronomia.

2 Comentários

  1. Lilian Lima

    Obrigada Cris! 🙂 Muito bem dito. É mesmo um exercício. Pois todos estamos sujeitos e estar atentos é indispensável. Beijo grande querida.

  2. Cris Campos

    Entendo que na multiplicação do conhecimento vem junto a do entendimento. A manipulação acontece? Sem dúvida. Agora, tenho pra mim que o exercício constante e persistente do discernimento é o que nos separa e preserva dela.

    Adorei a a riqueza da leitura Lilian. Parabéns! Bjo!

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