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Magnífica 70

O cinema Boca do Lixo em São Paulo em uma co-produção HBO Latin America Group e Conspiração Filmes. 

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Com direção de Cláudio Torres e Carolina Jabor, a série Magnífica 70 foi exibida na HBO em 2015.  Em treze episódios, a série se propôs enveredar-se nos bastidores do cinema Boca do Lixo em São Paulo no ano de 1973. Também, dar uma noção ao público de como era fazer filmes em meio à ditadura militar. Principalmente os filmes que este cinema Boca do Lixo fazia: a pornochanchada.

Com fotografia primorosa; e reconstituição de época, Magnifica 70 apostou em um roteiro mirabolante, mas que funcionou muito bem. Onde Vicente (Marcos Winter), um sensor de filmes da polícia federal, vive uma vida ambígua. Ao mesmo tempo em que censura filmes, por um ‘acaso do destino’, vira diretor e roteirista de um filme na Boca do Lixo. O filme que ele dirige, é inspirado em um segredo de seu passado.

Vicente vive em uma corda bamba. Tenta e não consegue abandonar o filme e ao mesmo tempo se envereda cada vez mais no perigo. Onde o maior deles, é ser descoberto pelo seu sogro. Um general militar que comanda a censura no país e lhe dera o emprego de censor. Um homem impiedoso e disposto a dar um jeito em quem afrontar o regime militar, a moral e os bons costumes.

Com relação à atuação eu destacaria os personagens principais. O censor Vicente, a bandida Vera (Simone Spoladore) que esconde sua antiga identidade e se passa por Dora Dumar – uma atriz da Boca do Lixo -; Isabel, mulher de Vicente (Maria Luisa Mendonça) com crise em seu casamente com Vicente e problemas com seus pais; Ângela (Bella Camero), a ninfeta perigosa do filme e irmã de Isabel; Manolo (Adriano Garib), um ex-caminhoneiro impotente sexual procurado por traficantes  e diretor de cinema.  São personagens ambíguos e profundos, que têm várias nuances e facetas. O aspecto psicológico é bem explorado nestes personagens.

Paulo Cesar Pereio fez o general militar Souto e estava um tanto alienado do papel que pedia mais sintonia do que foi apresentada. Joana Fomm fez Dona Lúcia, mulher do general. Foi competente apenas. Os demais personagens soaram um tanto caricatos como o personagem Larsen (Stepan Nercessian), um produtor executivo mau caráter.

Não achei a série irretocável. Mas é uma série de uma qualidade superior ao que estamos acostumados a ver no Brasil em termos técnicos e de roteiro. A fotografia e a reconstituição de época estão excepcionais.

Li alguns comentários à época de que a série pegou leve na questão da ditadura. Deve-se lembrar a série é uma ficção e não um documentário. Onde a ditadura é um pano de fundo na série. Ao mesmo tempo em que ela é uma série histórica. Que fala de um período no Brasil há outras questões mais latentes que de repente, a série as explode na cara do telespectador.

Mas a série também tem alguns alívios cômicos muito interessantes que brinca com o próprio cinema. Como por exemplo o nome artístico de um dos personagens ser Flint Westwood (André Frateschi) ou os erros técnicos que acontecem durante as gravações desembocando em um humor metalinguistico.

Em dezembro foi noticiado que a HBO Brasil lançará nova temporada com dez episódios. Mas ainda sem previsão de estreia.

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About the author

Paulistana; gosta de escrever, dias nublados, leituras densas, música, cinema e gastronomia.

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