Ensaios
Um lugar à sombra: mercado editorial

Tendência. Interatividade e mercado literário.

showman

Para muitos escritores iniciantes, o primeiro passo rumo a ‘um lugar ao sol’  é conseguir contrato com uma editora. O que isto tem sido creditado (talvez  não de uma forma declarada), ao potencial de interatividade deste escritor. Para algumas editoras, é preferível lançar novos autores que já tenham um grande número de seguidores na internet, por exemplo. O que do ponto de vista comercial parece ser o caminho mais acertado. Obviamente mais estratégico e aparentemente mais garantido. Mas li em algum lugar, o que me pareceu um grande equívoco. De que escritor que não sabe se vender, talvez esteja na profissão errada.

Mas que mentalidade é esta?! Não estamos falando da profissão de vendedor e sim, de escritor, sabe?!… Aquele ser que precisa vender livros (ou não) para pagar suas contas sim, e que qualquer outro talento extra ou fatores externos lhe são bem-vindos para ajudá-lo nesta tarefa. Mas isto em nada tem a ver com sua escrita, sua capacidade como escritor. Escrever bem é que faz dele um escritor e não se ele tem talento para marketing pessoal e vendas. E vamos concordar que quanto menos tempo um escritor se dedicar à sua escrita, maior a probabilidade da qualidade de seu trabalho ficar comprometida.

Mas esta ideia talvez seja um reflexo de outras igualmente equivocadas. Como por exemplo, a ideia de que se um livro vende muito, o escritor é genial e seu livro, uma obra-prima. Que livros com pouca vendagem são ruins e seus escritores, sem talento. Temos exemplos de autores clássicos que penaram até terem suas obras reconhecidas e alguns escritores só foram aclamados depois de mortos. Também, não é verdadeira a ideia de que todo e qualquer Best-seller não tem qualidade literária. É literatura de massa. Não vou entrar aqui na questão da subjetividade da crítica, mas não podemos deixar de encarar o fato de que a equação vendas e qualidade nem sempre tem relação.

Um último ponto que gostaria de levantar nesta questão de que autores devem ser showmen se quiserem sobreviver no mercado literário, é que não são todos os leitores que se interessam por esta faceta do escritor.

O aspecto da interatividade e da exposição não faz parte dos critérios de alguns leitores para aquisição de obras, nem de suas motivações para admirar autores. Na verdade, muitos têm aversão a isto ou lhes é indiferente. Outros preferem mesmo que seus autores continuem envoltos na reclusão. Talvez aqui a ‘teoria da aura de mistério’ faça sentido. Ao menos por parte de alguns leitores.

A interconexão tecnológica faz parte do nosso cotidiano. Tem influência direta e indireta em diversos setores e não é diferente no mundo literário. Ao que se refere à visibilidade de escritores, ao consumo dos leitores e aos negócios das editoras. Isto não pode ser ignorado obviamente; principalmente para quem está iniciando.

Tendo possibilidade, deve-se fazer bom uso de todas as ferramentas disponíveis e quem tiver talento para ser um showman, que assim seja. Escritores podem ter talento eventualmente para o marketing pessoal e vendas, porém isto não tem a ver com sua capacidade literária, como pelo visto, alguns pensam. Escritor não é sinônimo de marqueteiro.

Comente via Facebook

Comente via Facebook

About the author

Paulistana; gosta de escrever, dias nublados, leituras densas, música, cinema e gastronomia.

4 Comentários

  1. Gustavo Roubert

    Parabéns pelas publicações.

    PS: Não consigo seguir o blog mesmo clicando no ícone do WordPress.

    • Lilian Lima

      Olá Gustavo! Que bom que gostou das publicações 😀 Tentarei resolver o problema do ‘botão seguir’. Muito obrigada por avisar!! 🙂

  2. Lilian Lima

    Cris! Obrigada!! Apanhando um pouco ainda, hahaha. Beijos 😀

Deixe um comentário

Arquivos
Assinar Blog por Email

Digite seu endereço de email para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por email.

Seguir modo abstrato
%d blogueiros gostam disto: