Livros de Crônicas
Crônica de uma guerra secreta

Os bastidores da II Guerra no Brasil e na América.

capacetepost

Subtítulo do livro: Nazismo na América: A conexão argentina.

Sérgio Corrêa da Costa foi um historiador e diplomata brasileiro. Teve uma extensa carreira política, foi membro da Academia Brasileira de Letras e publicou outros livros com temáticas semelhantes.

Mais do que um livro sobre a II Guerra, Crônicas de uma guerra secreta é um relato do que o autor vivenciou em sua missão secreta em Buenos Aires, nos últimos anos da guerra. Onde atrelado a isto, revela também com vasto conhecimento uma teia secreta sobre a II Guerra, e as intenções de Hitler com a ajuda da Argentina em tomar o Brasil.

”Criaremos no Brasil uma nova Alemanha. Encontraremos lá tudo de que necessitamos” – (Adolf Hitler, 1933)

”Uma vez caído o Brasil, o continente sul-americano será nosso” (Juan Perón, Manifesto do GOU, 3 de maio de 1943).

Ele menciona fatos sobre a espionagem alemã em solo brasileiro, a contraespionagem inglesa (juntamente com o apoio dos EUA) para impedir que o Brasil caísse, em um momento onde o governo Vargas flertava com o nazismo.

Entre os procedimentos dos espiões aliados, a implantação de informações falsas; troca de documentos; entre outras coisas surpreendentes. Uma trama minuciosa onde tudo parece ter uma conexão gigantesca.

Mas a narrativa do autor não é linear. Isto parece dificultar a princípio. Porém, sua escrita vivaz; de tom intrigante e conspiratória nos envolve no desdobramento dos fatos. Alguns acontecimentos, Sérgio Côrrea tivera de aguardar anos para que pudesse revelá-los. O que ele embasa com documentos ou testemunho próprio.

O autor permeia as tramas com uma estória particular, de quando ainda jovem. Época em que encarnou um ‘James Bond brasileiro’ – como o próprio autor diz -. Enviado pela embaixada brasileira para espiar nosso país vizinho Argentina, e seus passos na Guerra, Sérgio Côrrea enveredou-se em uma missão extraoficial: fotografar documentos do Arquivo General de la Nación. Seu objetivo? Confirmar uma investigação particular que fizera sobre o ‘envolvimento argentino na insurreição de mercenários alemães no Rio de Janeiro, em 1828 […] e o plano de sequestro do nosso imperador’.

A difícil tarefa, requeria que ele primeiramente se infiltrasse no órgão. Depois, tivesse acesso ao arquivo; e por fim, fotografasse os documentos. O que nenhuma das três tarefas era de fácil execução. A de fotografar por exemplo, era impossível tecnicamente. Àquela época, a reprodução de documentos só era possível através do fotosfato. Ou seja, os documentos teriam de ser retirados do arquivo. Mas, com espanhol impecável e documentos falsos, Sérgio Corrêa conseguiu passar-se por um argentino nato e infiltrou-se no Arquivo General de la Nación entre 1944 à 1946.

“[…] me exigiu três anos de assiduidade às salas de consulta do Arquivo General, anos de observação persistente da personalidade, dos hábitos e, mesmo, do perfil psicológico de cada um dos funcionários com quem tratava […] Diversas vezes, um ou outro consulente, vendo-me em mangas de camisa, circulando pelas salas com desembaraço, me tomava por funcionário e pedia informações que eu dava com a maior boa vontade […] Para não despertar suspeitas, simulei interesse pela genealogia de famílias argentinas com raízes no brasil e vice-versa”

Outro dos temas interessantes em sua jornada pessoal foi seu contato com Eva Péron, onde tal contato não foi muito bem sucedido.

”Apesar dos incidentes que provoquei e das queixas de Eva Perón contra mim, o fato é que pudemos conversar bastante e nos separamos como amigos.”

Por fim, o livro percorre por assuntos como o Estado Novo, Plano Cohen, o intregalismo, a ordem da Gestapo ao assassinato de Oswaldo Aranha, o dedo de Perón, a Ultra-Magic, o desmembramento do Brasil, o nascimento da CIA, o papel do Vaticano, entre tantos outros. Ou seja, o livro desenterra assuntos que muitos gostariam de enterrar para sempre. Mas acho que sempre vale a pena conhecer a História. Afinal, como disse o pensador:

“Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo” – George Santayana.

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About the author

Paulistana; gosta de escrever, dias nublados, leituras densas, música, cinema e gastronomia.

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