Literatura Inglesa
David Copperfield

Semi-autobiografia de Charles Dickens sugere sua trajetória em meio a sociedade inglesa da era vitoriana.

charlesdickens

Charles Dickens (1812-1870)

Aos vinte e um anos com pseudônimo de Boz, Charles Dickens iniciara sua carreira literária ganhando notoriedade e fama aos vinte e cinco. Admirado por grandes escritores e sendo ele mesmo um dos maiores escritores ingleses da era vitoriana, Charles Dickens contribuiu através de sua literatura com a contextualização da sociedade inglesa do século XIX.

Publicada em forma de folhetim entre 1849 e 1850, David Copperfield é uma obra semi-autobiográfica e declaradamente a preferida do escritor. Se a era vitoriana foi tida como uma época de bonança devido a expansão do Império Britânico em meio a explosão da Revolução Industrial, Charles Dickson aponta algumas características que para os dias atuais são vistas como politicamente incorretas: o trabalho infantil, por exemplo, do qual o próprio autor experimentara. Mas esta não é a única e principal obra de que o autor fala sobre o trabalho infantil; e suas obras trazem aspectos da crítica social.

Quanto ao estilo, David Copperfield tem um arco dramático clássico de um romance de formação, e é assim que ele começa sua obra escrita em primeira pessoa, apresentando o personagem David ainda criança até chegar em sua fase adulta. A escrita de Charles Dickens nesta obra em particular é uma escrita que equilibra-se entre o simples sem ser simplória; elegante sem ser rebuscada. De uma forma extremamente íntima, lírica, poética e confessional, Charles Dickens envolve e arrebata o leitor que avança pelas mil e tantas páginas sem se dar conta. Esta edição é da Cosac Naify e tem mil trezentas e doze páginas que inclui apresentação do autor e pequenos ensaios como o da escritora Virgínia Woolf.

Uma observação pontual a se fazer sobre a obra, é que a estória se dá em um período onde o modo de vida vigente é o do puritanismo ao extremo. O que reflete intrinsicamente no trabalho do autor e na produção da obra no que diz respeito a sexualidade. Os relacionamentos e as paixões não tem suas seus detalhes expostos nem nos mais íntimos pensamentos dos personagens.

O enredo inicia-se com o nascimento de David e enquanto criança, ele vive a princípio uma vida feliz com sua jovem mãe viúva e sua fiel babá, quando o novo casamento da mãe o joga no inferno aos dez anos de idade. O padrasto, um homem que esconde o sadismo atrás de um moralismo rigoroso domina facilmente a doce, inexperiente e jovem mãe ao seu bel prazer até anulá-la completamente. Com a ajuda de uma irmã que vai morar na casa do casal, cuja natureza é idêntica ao do irmão, eles protagonizam seções de tortura, dominação emocional e psicológicas na jovem mãe e filho ao ponto de colocarem um muro entre eles.  Os insanos conseguem dominá-la com a proeza dela ainda ser grata à eles por todo empenho em tentar fazer dela e do filho pessoas melhores; pois colocaram em sua mente que ela é um jovem incapaz e David, um garoto rebelde que precisa de dura disciplina.

Sozinho no mundo, David é lançado na vida pelos seus algozes sendo ele ainda uma criança. O que agrava ainda mais a situação é a natureza ingênua e boa do personagem. Cujo desafio é colocar a própria natureza a prova de um mundo hostil e aproveitador. Esta primeira parte do livro sobre a infância do personagem é bem intensa e revoltante.

Mas nem só de sofrimento é feito o livro. Há variados tons. Outros momentos que vão do belíssimo e sublime ao cômico; onde Charles Dickens demostra suas variadas facetas de escritor com refinamento e genialidade.

Os personagens são bem construídos no estilo clássico: divididos entre mocinhos e bandidos mas nem por isto,  menos reais ou menos interessantes. Mas há um ou outro personagem um tanto mais complexos e estes, brilham sobre os demais como por exemplo, a tia excêntrica de David, Betsey Trotwood. Além claro, do protagonista que vai transformando-se conforme a idade. As subtramas igualmente bem construídas, se entrelaçam sem que haja estranhamento do leitor que embrenha-se no enredo de forma voraz.

Por que ler David Copperfield?

Porque ”Toda história é literatura. Toda literatura é história” (Delson Gonçalves em Cartas chilenas).

David Copperfield é um retrato da Inglaterra vitoriana. Através das discrições do autor, somos transportados para àquele período e conhecemos a sociedade inglesa da época. Também, porque é um livro completo em termos de escrita da forma clássica. É um livro semi-autobiográfico e portanto, inspirador. Por fim, deve-se ler David Copperfield porque ele irá te prender da primeira à última página.

 

 

 

 

 

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About the author

Paulistana; gosta de escrever, dias nublados, leituras densas, música, cinema e gastronomia.

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