Livros de Estudos
HISTÓRIA DA LITERATURA OCIDENTAL – VOL. I

Captura de Tela 2015-10-10 às 10.24.52

Este livro é o primeiro dos dez volumes da obra História da Literatura Ocidental de Otto Maria Carpeaux que está em sua sexta edição. Segundo a apresentação, é uma obra única no mundo. E talvez seja mesmo e por mérito do autor que a escreveu de uma forma singular em apenas dois anos.

O tipo de análise que Carpeaux faz sobre a literatura ocidental é um espetáculo a parte. E para quem gosta de ler sobre o assunto ou está estudando-o é uma obra muito pertinente, pois o autor tem uma erudição que não passa desapercebida. Obviamente, para quem já tem um conhecimento mais avançado do assunto de certo se sentirá mais situado.

42691645_2_G

Como dito, esta obra foi escrita em pouco tempo (dois anos). Pela complexidade dela parece um tempo record escrever em apenas dois anos algo assim monumental. Já no primeiro volume fica a impressão de que isto só foi possível por dois motivos: a imensa cultura que Carpeaux tinha e seu poder de síntese. Mas não uma síntese qualquer, um simples resumo. Sua síntese é rica, inteligente, aguçada, interpretativa. A todo instante ele faz inferências das influências que temos destes períodos. Cita e compara poetas por exemplo da literatura grega com a posteridade entre outros aspectos.

Este primeiro volume aborda sobre a literatura grega em seus primórdios. Também, apresenta a literatura romana e as origens do cristianismo.

CAPÍTULO I : A Literatura grega

a grandeza de Homero

Parece que a literatura grega resume-se a Homero. Não que não houvesse outros literatos mas, foi ele quem ficou consagrado. Carpeaux diz que fora devido não somente ao seu talento mas, porque os outros poetas fracassaram a imitá-lo.

Para o resto do mundo, Homero é sinônimo de poeta. Autor de uma grande obra embora. Mas para o mundo grego da época, as epopéias de Homero tinham outro aspecto. Os versos de Homero era a Bíblia deles. Um cânone que servia de base para todas as esferas daquela sociedade. Carpeaux menciona que usavam as epopéias de tese filosófica à sentenças de tribunais. Homero era o próprio mundo grego.

Carpeaux menciona outros poetas mas cito Hesíodo, pois ele faz uma comparação interessante com Homero. Ele diz que enquanto Homero apresenta um ‘realismo nobre’, Hesíodo seria uma espécie de ‘Homero do proletariado’. E embora talvez Hesíodo fosse contemporâneo de Homero, sua obra apresenta uma ideia mais primitiva, crenças ‘pré-homéricas’. Suas obras Teogonia, Prometeu e Pandora por exemplo, apresentam crenças da Idade Áurea à Idade do Ferro: pessimismo, mito do caos, luta dos deuses, dos gigantes, terror cósmico. Em Os Trabalhos e os Dias, apresenta uma vida  ligada à agricultura.

A datação das obras e a própria identidade dos poetas parece ser uma coisa difícil de afirmar. Segundo Carpeaux não se sabe a identidade real de Homero, por exemplo. A epopéia Ilíada descreve um enredo da época feudal da Grécia enquanto que a Odisséia, retrata a época fenícia da civilização mediterrânea. Mas os pesquisadores levam em conta o enredo ficcional que pode apresentar qualquer época diferente da real. Mas a data provável das obras é IX e VII a.C pois apresenta racionalização, realismo e idealidade (sem primitivismo). Mas no sentido de essência humana, a obra de Homero tem um aspecto atemporal .

Poesia grega

Já da poesia lírica grega, pouco se conservou. Havia a poesia de coro, a elegia e a poesia lírica. A poesia de coro era acompanhada por liras e flautas. Mas também não se tem noção de como era a música grega.  A elegia, era voltada mais para a poesia bélica e a poesia lírica para as paixões.

De todos os poetas destes estilos de poesia é somente de Píndaro que se tem a obra conservada. Outros nomes são citados mas destes  tem-se apenas fragmentos que não oferecem condições de se analisar com propriedade o que foi este tipo de arte e o que ela contemplava em seu contexto. Porém, há nomes que conseguira se conservar no tempo mesmo que sua obra se perdera. É o caso de Arquíloco. Dele ficara apenas a fama. Entre os nomes, há Safo. Ao que parece a maior das poetisas gregas cuja pessoa fora transformada em uma espécie de musa para outros poetas. Versos e lendas foram criados em torno desta poetisa.

Carpeaux cita ainda outros poetas aos quais influenciaram diretamente a poesia da posteridade. Anacreonte, por exemplo. Ele foi um poeta que ele cita como sendo parte da poesia grega em uma fase já ‘decadente’. E que a literatura universal se inspirou neste tipo de poesia.

”trata-se de poesia da ”decadência grega”, de falsa ingenuidade erótica, poesia de velhos bon-vivants, cantando o vinho e prostitutas de nomes mitológicos, com eufemismos que excluem a indecência.”

Carpeaux dá entender que esta falta de conservação das obras completas dos poetas pode ter sido algo proposital.

”O desaparecimento da poesia lírica grega é um fato histórico capital: contribuiu para criar, no futuro, a imagem convencional da Antiguidade, o pretenso equilíbrio ‘olímpico”. A poesia lírica grega era, ao que parece, mais uma explosão violenta, ”dionisíaca”, do que mera expressão emocional. Por isso, os filósofos e políticos da Antiguidade preocuparam-se com os efeitos perigosos do individualismo literário; o acompanhamento musical era tentativa para atenuar a poesia, disciplina-la, ”apolinizá-la”, conferir-lhe significação ética”. Esse objetivo só foi realizado com Píndaro; e é ele o único poeta lírico grego do qual se conservou obra extensa.

Sobre Píndaro ele diz:

”Píndaro é realmente profeta: profeta de um monismo grego […] É poesia de aristocratas que se educam para merecer a sua posição; mas o poeta lhes observa que a sua ética depende da sanção divina”.

O TEATRO GREGO

O teatro grego tem origem religiosa. Embora não se tenha ideia das liturgias. Estudiosos dizem que a tragédia grega se inspirara nos cultos à Dionísio.

É do teatro grego que surgiu nosso moderno teatro e nossa ópera.

”Mas a ópera moderna é gênero privativo das altas classes da sociedade, enquanto a tragédia grega era instituição do Estado democrático, e a participação nela era de certo modo um direito e um dever constitucionais”.

Outra particularidade do teatro grego, mais propriamente do povo grego era o gosto pela retórica. Para eles, a retórica era sinônimo de cultura.

”Evidentemente, não pode ser confundida com a retórica moderna, sempre subjetiva, instrumento de efeitos estilísticos ou tentativa de ”mestre en scène” a pessoa do orador. A retórica grega visava a um fim objetivo, comum a todas as atividades espirituais”.

Os principais nomes do teatro que a posteridade conhece são Ésquilo, Sófocles e Eurípedes.

Ésquilo era mais arcaico e representava mais o coletivo. Eurípedes  representava o indivíduo com suas problemáticas individuais e Sófocles era um intermediário entre os dois. Mas os três são duramente criticados no teatro comédia de Aristófanes. A Eurípedes, ele odiava em especial. Mas sobre Aristófanes, Carpeaux escreve:

”Aristófanes não é profundo. Não tem ideologia bem definida. O seu conservantismo é um tanto sentimental, elogiando os ‘bons velhos tempos” e denunciando o ‘modernismo” perigoso dos ‘intelectuais’ e dos ‘socialistas’ […] Aristófanes não defende uma ideologia, e sim o sentimento moral, ofendido, de um burguês decente, embora de expressão indolentíssima. Pois também nunca se ouviu poeta tão francamente obsceno, chamando todas as coisas pelos nomes certos.

Achei curioso o uso dos termos socialista e subversivo por Carpeaux pois estes termos tem sentidos bem específicos para nossa sociedade. Sentidos estes desconhecidos para aquela época. Imagino que Carpeaux os utilizou à fim de fazer uma comparação da situação. Tanto é que ele os usa entre parêntesis. Mas eu particularmente acho que o uso dos termos pode deixar margem para outras interpretações.

**

E esta foi a resenha do primeiro volume. Espero que ela possa dar uma noção do que é este primeiro volume. Sugestões para a próximas resenhas dos outros volumes do box são bem-vindas!

Um abraço à todos.

 

Comente via Facebook

Comente via Facebook

About the author

Graduada em Comunicação Social (Rádio e Televisão) com habilitação em roteiro. Paulistana. Gosta de dias nublados, leituras densas, música, cinema, gastronomia, e escrever.

6 Comentários

  1. Cris Campos

    Nossa Lee, fiquei fascinada. Vou ter que ter, vou ter que ter. Adorei!

    • leiturasdalee

      Hahaha!! Eu tb. estou deslumbrada com esta obra do Carpeaux. Vale a pena Cris!! Bju 🙂

      • Cris Campos

        Gostei vem especial porque vc disse que fala das origens do cristianismo, que é algo que gosto muito de ler. Obrigada! Bajo. 😉

        • leiturasdalee

          Cris, posso dar um conselho já que vc mencionou isto? Eu acho que para adquirir o box por causa do assunto cristianismo, talvez não compense porque ele aborda apenas no vol. 1 e só em um capítulo que é 1/3 do livro. E o Vol. 1 não é tão grosso. Os outros volumes são outros assuntos. Acho que a religião deve ser mencionada de alguma forma nos outros períodos mas o assunto específico ‘cristianismo’ só tem neste vol. 1. Espero ter ajudado 🙂

          • Cris Campos

            Ah, não tem problema. Com a riqueza dessa obra não dá pra perder mesmo. Olha, desculpe os erros na grafia, mas sou um terror completo quando escrevo pelo celular, haha. Bju 😉

          • leiturasdalee

            Imagine, rs. Erro algum. Sim, pela riqueza da obra vale a pena, Cris. Bju 🙂

Deixe um comentário

Arquivos
Assinar Blog por Email

Digite seu endereço de email para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por email.

Seguir modo abstrato
%d blogueiros gostam disto: