Livros de Ensaios
THRILLER PSICOLÓGICO

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Todo ser humano tem uma psique. Esteja ela dentro da chamada normalidade ou seja anormal, diferente das demais. De qualquer forma, parece que se tornou de senso comum o pensamento contido na célebre frase de Machado de Assis de que “olhando de pertoninguém é normal”. Mas nos piores casos, queremos mais é que o outro fique bem longe. Ou melhor, que não exista a não ser, dentro de um livro ou de um filme.

Quem gostaria de ter como vizinho um Hannibal Lecter (Silêncio dos Inocentes), um Normal Bates (Psicose), ou Anton Chigurh (Onde Os Fracos Não Tem Vez)? Mas seja pela curiosidade ao bizarro, pela carga emocional do suspense ou pela busca em tentar entender o que se passa na mente humana através de uma ficção, é que muitos são fãs do Thriller Psicológico – o principal subgênero do Thriller -.

O Thriller Psicológico trata do universo da mente. Onde a trama pode se tornar um verdadeiro jogo de xadrez mental explícito. Sim, é possível ter a mente dos personagens expostas através dos recursos linguísticos e audiovisuais. E talvez o grande barato esteja justamente aí. Fazer isto com maestria a mexer com o psicológico do público.

Mas o Thriller Psicológico na verdade é uma evolução de outro gênero que começou lá em 1919 com o filme alemão O Gabinete do Dr. Caligari. Era o início do Psico-Drama. Onde o arco dramático centrava-se na recuperação de um paciente através da capacidade de um psiquiatra em investigar a fundo sua mente e trazê-lo de volta a sanidade (ou chegar perto disto). Isto porque na época a psicanálise tinha conquistado espaço na sociedade. Como Psico-Drama podemos citar os filmes As Três Máscaras de Eva e Sybil, Na Cova Da Serpente.

Somente quando os assassinatos em série começaram a tornar-se conhecidos é que o Psico-Drama evoluiu para o Thriller Psicológico. Porém, a princípio a trama era aquela coisa do mocinho e bandido. Se no início o psiquiatra fazia às vezes de um detetive, aqui o policial é quem faz às vezes do psiquiatra. E um dos pontos de tensão é justamente o policial depender do sucesso de sua análise psicológica para chegar ao seu alvo, prender sua caça: os psicopatas. Filmes como Dragão Vermelho e Seven: Os Sete Pecados Capitais mostram isto.

”Somente nos anos 80 herói e vilão se confundem e o policial tem que lidar com suas próprias questões internas para poder fazer justiça. O que às vezes, esta é bem questionável do ponto de vista do politicamente correto. Nestes filmes ninguém está seguro, pois o vilão pode estar mais perto do que se imagina. Aliás, ele pode ser você! Como no filme Gêmeos, Mórbida Semelhança.

De lá pra cá, o Thriller Psicológico evoluiu de modo a apresentar outras nuances. Pode apresentar personagens que são verdadeiras aberrações mentais – Como os citados no início do texto – como também pode apresentar personagens com mentes dentro da normalidade e que necessitem justamente dela para escapar de alguém ou de alguma situação através de sua inteligência e controle emocional. Um exemplo é o filme O Silêncio dos Inocentes do diretor Jonathan Demme. Pode apresentar também, um personagem que luta mentalmente contra si mesmo. Para superar um estado psicológico abalado, um trauma, um medo, uma fobia, alucinações; questões existências, enfim. Estas são algumas temáticas recorrentes. Um exemplo deste tipo de personagem é a obstinada bailarina Nina Sayers de Cisne Negro.

No cinema e televisão, os recursos visuais e sonoros são quem atuam de forma a traduzir este universo interno da mente dos personagens para o público. Já na literatura, os recursos são outros. Como o tipo de narração, por exemplo. A mais utilizada é a primeira pessoa. Em primeira pessoa, o personagem narra o que acontece com ela e o que vai a sua mente. Talvez seja mais comum ser escrito em primeira pessoa por reforçar esta questão do diálogo mental, já que o leitor ao ler em primeira pessoa sente-se dentro da mente do personagem. Mas todos os tipos de narração são válidas e elas existem. Porém, são experiências diferentes de leitura. O outro recurso é a forma como o autor trabalha a questão das descrições e do suspense.

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About the author

Graduada em Comunicação Social (Rádio e Televisão) com habilitação em roteiro. Paulistana. Gosta de dias nublados, leituras densas, música, cinema, gastronomia, e escrever.

7 Comentários

    • leiturasdalee

      Valéria, eu só coloco a foto no corpo do post e encaminho para a página do facebook pelo rodapé do post. bjo 🙂

  1. Bel

    cometi um erro gravissimo, é que faz não ler o texto antes de publicar: nu= errado
    no = correcto

  2. Bel

    Livros eu nunca li, conheço alguns filmes acima, mas passei a amar a psicopata de Gone Girl, e estou ansiosa para ver a Jessica Chastain im Miss Julie que consegue manipular as pessoas.
    E se pela moral sabemos que está errado, nu fundo, no fundo tenho uma ponta de inveja, porque essas pessoas tem um poder.

    • leiturasdalee

      Estes personagens são politicamente incorretos quando não criminosos mas, é o lado escuro da humanidade e por vezes fascina mesmo na ficção. Na realidade queremos mais é que eles sumam, não é mesmo? Esta é mágica da ficção.

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