Literatura Russa
CRIME E CASTIGO

Em Crime e Castigo, Dostoiévski constrói os personagens de tal forma que parecem existir de fato. Descreve o psicológico de cada um com riqueza, clareza e profundidade absurdas.

O personagem principal Rodion Românovitch Raskólnikov de Crime e Castigo é de uma construção impressionante. Um personagem caótico, contraditório, dançando entre a loucura e a sanidade; entre a bondade e a maldade; entre o heroísmo e a covardia. Um jovem estudante de direito que encontra-se morando sozinho em uma espelunca em Petersburgo as custas do parco dinheiro que a mãe viúva lhe envia.

Logo no início da estória ele planeja um assassinato e mata uma velha judia, uma espécie de agiota a quem ele sempre penhora alguns pertences e mata também sua filha que supreende-o na cena do crime. A partir daí, toda sua estória se desenrola tanto dentro como fora de sua mente com muita intensidade. Seus parentes e amigos sequer desconfiam do que ele fizera até porque isto seria inacreditável e mesmo quando em seus delírios chega a insinuar algo, ninguém põe em conta.

O mais questionável são os motivos pelo qual ele cometeu estes homicídios que não são muito claros nem mesmo para ele e há divagações nestas ideias tanto antes do crime quanto depois. Por parte dele e dos demais personagens. Mas não é uma estória de um crime somente. A estória apresenta questões profundas sobre a humanidade e a sociedade.

Dostoiévski é meu autor favorito mas já é sabido que sua escrita ora é fluente, ora pede alta concentração. E temos isto em Crime e Castigo onde o início do livro flui mas no meio se arrasta um pouco para logo mais fluir novamente e devoramos o livro. Outra coisa que deve-se acostumar com suas obras, é a questão dos nomes dos personagens que além de alguns serem parecidos, um mesmo personagem tem dois, três, até quatro nomes diferentes e isto causa um pouco de confusão no início mas, acostuma-se.

Um dos trechos favoritos de Crime e castigo é uma cena entre Raskólnikov e Sônia, uma jovenzinha prostituta sofrida, por quem lhe despertara um sentimento indefinido.

”De súbito agachou-se rapidamente e, ajoelhando-se no chão, beijou-lhe os pés. Sônia, assustada, afastou-se dele como de um louco. E, de fato, ele tinha todo o aspecto dum demente.

– Que faz o senhor, que faz o senhor diante de mim? – balbuciou ela, depois de ter empalidecido, e, de repente, sentiu que o coração se lhe apertava dolorosamente.

Ele se ergueu imediatamente.

– Eu não me ajoelhei diante de ti, mas diante de toda a dor humana – disse ele num tom estranho, e retirou-se para junto da janela.”

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About the author

Graduada em Comunicação Social (Rádio e Televisão) com habilitação em roteiro. Paulistana. Gosta de dias nublados, leituras densas, música, cinema, gastronomia, e escrever.

4 Comentários

  1. Estante na Lua

    Sempre quis ler Dostoiévski, mas não tomo coragem pelo tamanho do livro! Mas já me falaram muito bem dele… e agora fiquei com mais vontade ainda hehe 😛 [Monike]

    • leiturasdalee

      Oi Monike! Um dele que é fino e é justamente o que me fez ficar apaixonada por ele é o Notas do Subsolo. Tem resenha dele no blog. Dostoiévski é um escritor que escreve coisas que alguns chamariam de ‘deprês’, hehe. Mas vale muito a pena lê-lo. 🙂 Bju (Lee).

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