Cinema
A ESTRADA 47

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A Estrada 47 é um filme brasileiro coproduzido com a Itália e Portugal. A direção e roteiro é de Vicente Ferraz (de “Soy Cuba, o mamute siberiano”). A história é sobre o envio dos 25 mil soldados brasileiros sem preparo algum, para lutar contra as forças do Eixo na Itália, na II Guerra Mundial. Porém, o diretor prefere  dizer que o filme não é um filme de guerra e sim, de que trata das questões humanas em um contexto de guerra.

Realmente o filme foge ao padrão sobre o gênero com toda aquela coisa da matança e todo aquele horror. Embora tenha momentos tensos e mortes ocorram, o filme é focado mais no pequeno grupo de soldados brasileiros (engenheiros): Piauí (Francisco Gaspar), Tenente (Júlio Andrade), Laurindo (Thogun Teixeira) e Guima (Daniel de Oliveira) que estão perdidos e consequentemente por conta própria, ao mesmo tempo que não querem retornar a base, tornando-se uma espécie de desertores. O bacana que achei disto é que mostra este lado dos desertores e então temos desertores da parte dos italianos também, e da parte dos alemães. Estes acabam se cruzando e alguns conflitos e surpresas acabam acontecendo entre eles. São os atores Richard Sammel (ator alemão de Bastardos Inglórios) que interpreta o Capitão Jurguen Mayer e o ator italiano (Sergio Rubini).

A este grupo, ainda junta-se o jornalista brasileiro Rui (ator português Ivo Canelas) que tem sua volta ao Brasil decretada pelo Coronel da base de operações, interpretado por  Milhem Cortaz (de Tropa de Elite). A participação de Milhem se dá apenas neste momento mas foi muito boa como sempre. No filme, os jornalistas estavam espalhando uma notícia na imprensa brasileira de que os soldados da FEB estavam em pânico na guerra e coisas do tipo e então o Coronel vinha proibindo que eles falassem com os soldados. Porém, Rui desobedece suas ordens de voltar ao Brasil, vai à campo e por acaso encontra estes soldados brasileiros e os acompanha em uma missão.

A missão é clandestina, pois o grupo não recebeu ordens para executá-la. Os soldados ficam sabendo que a Estrada 47 fora fechada pelos alemães com minas e eles, como engenheiros responsáveis justamente por esta função em desativar bombas, resolvem então irem atrás desta estrada e abri-la para que as forças aliadas passem por ela. A motivação se dá em parte por motivos de honra e em parte, para se livrarem da corte marcial por terem desertado.

O filme que tem uma pegada ‘romanceada’, mostra de leve o ‘jeitinho brasileiro’ de fazer as coisas mas no bom sentido. Além de alguns momentos tensos, tem também alguns momentos de alívio cômico e de beleza poética.

Eu sempre fico com um pé atrás com filmes brasileiros embora procure assistir a tudo que eu puder (sim, tenho esperança no cinema brasileiro e torço por ele). E fiquei na expectativa de que o filme pudesse me surpreender muito e ao mesmo tempo que também pudesse me decepcionar.  Não aconteceu nem uma coisa nem outra mas, o roteiro achei bem digno, embora tenha achado que a voz off (narração) poderia ter sido mais profunda. A direção também está legal. Os atores estão muito bem, embora eu esperasse mais do Daniel de Oliveira. Achei a interpretação dele um pouquinho marcada. Não digo que seja o caso pois ele já fez alguns filmes mas, aproveitando o assunto, acho que os atores brasileiros passam a vida fazendo novelas (nada contra), neste país e chega no cinema tem dificuldades em se livrar deste ‘stand by‘ que as novelas tem criado em seus atores de algumas décadas para cá. Por fim, com relação  a parte técnica o filme estava muito bom. A fotografia gostei bastante e o áudio que costuma ser tão ruim em filmes brasileiros, não tenho reclamações.

Gostaria de citar uma declaração que o ator alemão Richard Sammel fez em um site brasileiro sobre o filme e que achei curiosa:

”Eu não fazia ideia de que os brasileiros tinham combatido ao lado dos Aliados. E isso porque eu estudei muito o assunto.Ninguém sabe disso na Alemanha e nem na Itália. É esta história, que é importante sobretudo para o Brasil que me emocionou.Como ninguém a contou antes?”

Talvez não sejam somente pessoas de fora do país que não saibam. Desconfio que muitos brasileiros também, não. E não há somente esta história de soldados brasileiros dentro deste contexto da II Guerra. Existem outras histórias heroicas de nossos soldados nesta ocasião como a dos Senta Puá (1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira), por exemplo.

O filme não aborda esta questão mas, acho pertinente comentar. Em seu livro Crônicas de Uma Guerra Secreta – Nazismo na América: A Conexão Argentinado autor, historiador e diplomata brasileiro Sergio Corrêa da Costa (falecido), este ataque que o Brasil sofreu pelos alemães e que motivou a ida destes soldados para a guerra, segundo o autor, fora na verdade uma estratégia dos EUA.

Enfim, filme recomendadíssimo! E recomendo também o livro que citei (editora Record). Qualquer dia faço resenha do livro.

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About the author

Graduada em Comunicação Social (Rádio e Televisão) com habilitação em roteiro. Paulistana. Gosta de dias nublados, leituras densas, música, cinema, gastronomia, e escrever.

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